Sessão
Pevides de Abobora e o Conhecimento Local!
Comunidade Verde - Ideia Verde
Um dia no mes de Junho estava na frutaria da minha rua a procura de abóbora e a senhora começou a explicar-me que nessa altura já não havia abóbora. Tínhamos que esperar até o verão passar para começar a receber a abóbora “nova”. A conversa acabou com o tema de pevides de abóbora, já que também andava a procura destas para tostar e pôr numa salada de cous-cous.
A senhora, que vem originalmente duma aldeiazinha mas que vive em Lisboa há varias décadas, passou a me ensinar como se faziam as pevides na sua terra:
Era questão de retirar as pevides do interior da abóbora, lavar e retirar a polpa primeiro, e por fim, deixar secar em papel de jornal durante 3 dias. Quando secos, na aldeia tanto crianças como adultos comiam as pevides retirando primeira a casca branca de fora entre os dentes.
Como bem sabem, na cidade nós compramos pevides em saquinhos de 200 gramas, e se calhar, nem nos lembramos que saem do interior dum vegetal. No meu buffet, até já me perguntaram o que eram, e antes de prova-los, outros já tinham feito comentários derisórios quando os vieram no menu. Mas a verdade, é que quem provou, adorou, e uma senhora grávida cliente do buffet, começou ela mesma a compra-los (só tive que lhe lembrar que tostavam-se antes de comer, para liberarem esse sabor único, um toque mágico a qualquer salada, a qualquer muesli, ou inclusive a um wok de legumes salteados, e o melhor: misturados em qualquer puré, sobretudo puré de batata doce com cebola caramelizada).
Quanto ao valor nutritivo, vou-lhes confessar que mais uma vez foi a senhora dona da loja que me ensinou que as pevides de abóbora fazem muito bem ao cérebro da mulher (até ficamos mais inteligentes!) e que beneficiam a prostata do homem! Lembrei-me dum artigo numa revista da África do Sul, no qual se falava sobre frutos secos, e como não, alem de confirmar o alto valor de proteína, ferro, zinc, e fósforo desta deliciosa semente, a revista também fazia referencia ao facto de se “saber” que a pevide fosse fonte de potencia masculina. (Food&Home Entertaining, Maio 2004: “they have been known tobe a natural boost for male potency.”)
Vou-lhe falar agora sobre um factor fundamental no nosso dia-a-dia, mas que nas cidades vamos perdendo cada vez mais. Falo sobre o conhecimento local.
O que é o conhecimento local? Cada local tem as suas características e as suas tradições e são estas que moldam o conhecimento local, uma serie de dicas e informações que são de origem colectiva por natureza.
Às vezes é um conhecimento comum à uma zona rural, ou a um grupo de pessoas que trabalham na área de agricultura, as vezes é um conhecimento partilhado, passado duma geração à outra. O conhecimento local não está necessariamente igualmente distribuído dentro da comunidade, e não tem porque oferecer uma solução, mas talvez possamos começar a encher um vácuo que vai aumentando.
É através da valorização destes conhecimentos sobre a comida, a dieta, e a nutrição que faço este pequeno resumo e peço a você de participar através do nosso fórum, integrando assim um mecanismo de varias fontes. Pode passar a ser o nosso primeiro tema interactivo, porque todos beneficiamos do “conhecimento” duma comunidade que podemos discutir e verificar os uns com os outros!
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Comentários
Trata-se de uma nova espécia vegetal cujo fruto (semente) já é colhida do insterior da abóbora, sem casca e apenas com uma finíssima película transparente, que saltará ou voará a uma simples esfrega ou vaporação das mesmas. pretendo entrar no mercado com tal produto mas não sei ainda muito bem como. Sabem dizer-me alguma coisa?